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Passado e futuro







Jesus Cristo vivo e ressuscitado é a Cabeça da Igreja, nós somos seus membros, por isso somos comunidade-Igreja. Não existe igreja fora do Corpo místico de Cristo, logo não existe Igreja sem comunidade.

Entramos na Igreja de Cristo pela porta da frente: isto é pela primeira e grande iniciação cristã: o batismo que nos consagra a Deus em nome da Trindade e nos confere o forte nome de Discípulos de Cristo (cf. Mt 28,18-20; At 11,26).


“A Tradição não é jamais pura nostalgia de coisas ou formas passadas, ou lamento de privilégios perdidos, mas memória viva da Esposa mantida eternamente jovem pelo Amor que nela habita” (JoãoPauloII).


Entre memória e expectativa - Hoje, muitas vezes, sentimo-nos prisioneiros do presente: é como se o homem tivesse perdido a percepção de fazer parte de uma história que o precede e o segue.



A esta dificuldade de situar-se entre passado e futuro, com espírito grato pelos benefícios recebidos e por aqueles esperados, a comunidade Igreja oferece um acentuado sentido da continuidade, que assume os nomes de Tradição e de expectativa escatológica.


A Tradição é patrimônio da Igreja de Cristo,



“A tradição é patrimônio da Igreja de Cristo, memória viva do Ressuscitado, encontrado e testemunhado pelos Apóstolos, que transmitiram a sua recordação viva aos seus sucessores, numa linha ininterrupta que é garantida pela sucessão apostólica, através da imposição das mãos, até aos Bispos de hoje”(JoãoPauloII).



A Tradição articula-se no patrimônio histórico e cultural de cada comunidade Igreja, nela plasmado pelo testemunho dos mártires, dos padres e dos santos, bem como pela fé viva de todos os cristãos, ao longo dos séculos, até aos nossos dias.

· Não se trata de uma repetição rígida de fórmulas, mas de um patrimônio que guarda o núcleo kerigmático vivo e original.



É a Tradição que livra a Igreja do perigo de recolher apenas opiniões mutáveis, e garante a sua certeza e continuidade.



Quando os usos e costumes próprios de cada comunidade Igreja são entendidos como pura imobilidade, certamente corre-se o risco de tirar à Tradição aquele caráter de realidade viva, que cresce e se desenvolve, e que o Espírito lhe garante precisamente para que ela fale aos homens de todos os tempos.

· E como a Escritura cresce com quem a lê, assim qualquer outro elemento do patrimônio vivo da Igreja cresce na compreensão dos cristãos crentes e se enriquece de contributos novos, na fidelidade e na continuidade (Dei Verbum, 8).



A Tradição na constituição dogmática: Dei Verbum, 8, pontua: a pregação apostólica,

· que se exprime de modo especial nos livros inspirados,

· que deve conservar-se, por uma sucessão contínua, até à consumação dos tempos.

· Por isso, os Apóstolos, transmitindo o que eles mesmos receberam, ensinam aos fiéis cristãos que observem as tradições que aprenderam quer por palavras quer por escrito (cf. 2Ts 2,15), e a que lutem pela fé recebida duma vez para sempre .

2Ts 2,15 – “Irmão,permanecei firmas, conservai o ensinamento que aprendeste de mim, oralmente ou por carta”.



Ora, o que foi transmitido pelos Apóstolos, abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a comunidade Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetuam e transmitem a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo aquilo em que acredita.



Esta tradição apostólica progride na comunidade Igreja sob a assistência do Espírito Santo.

· Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas,

· quer mercê da contemplação e estudo dos cristãos, que as meditam no seu coração (cf. Lc 2,18-19. 51):

Lc 2,18-19 – E todos os que ouviram isso assombravam-se com o que os pastores contavam. 19 Maria, porém conservava isso e meditava tudo em seu íntimo.

51 – Desceu com eles, foi a Nazaré e continuou sob sua autoridade. Sua mãe guardava tudo isso em seu íntimo.

· quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais,

· quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade. Isto é, a Igreja, no decurso dos séculos, tende contìnuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela se realizem as palavras de Deus.



e assim, Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo - por quem ressoa a voz do Evangelho na comunidade Igreja e, pela comunidade Igreja, no mundo - introduz os cristãos crentes na verdade plena e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza (cf. Cl 3,16):.

Cl 3,16 – A palavra de Cristo habite entre vós com toda sua riqueza; com toda a destreza ensinai-vos mutuamente. De coração agradecido cantai a Deus salmos hinos e cantos inspirados.



Somente uma zelosa assimilação, na obediência da fé, daquilo que a comunidade Igreja chama «Tradição», permitirá a esta encarnar-se nas diferentes situações e condições histórico-culturais.



A Tradição não é jamais pura nostalgia de coisas ou formas passadas, ou lamento de privilégios perdidos, mas memória viva da Esposa mantida eternamente jovem pelo Amor que nela habita.



· Se a Tradição nos coloca em continuidade com o passado, a expectativa escatológica abre-nos ao futuro de Deus.

· Cada comunidade Igreja deve lutar contra a tentação de absolutizar aquilo que faz e, portanto, de auto celebrar-se ou de abandonar-se à tristeza.



O tempo é de Deus, e tudo aquilo que se realiza nunca se identifica com a plenitude do Reino de Deus, que é sempre dom gratuito.



O Senhor Jesus veio morrer por nós e ressuscitou dos mortos, enquanto a criação, salva na esperança, sofre ainda as dores de parto (cf. Rm 8,22):

Rm 8,22 – Sabemos que até agora a humanidade inteira geme com dores de parto.



O mesmo Senhor voltará para entregar o cosmos ao Pai (cf. lCor 15,28):

1Cor 15,28 – Quando tudo for submetido, também o filho se submeterá àquele que lhe submeteu tudo, e assim Deus será tudo para todos.



E se a Tradição ensina à comunidade Igreja a fidelidade àquilo que as gerou, a expectativa escatológica leva-a a ser aquilo que ainda não é em plenitude e o Senhor deseja que se tornem, e a procurarem,

· portanto, sempre novos caminhos de fidelidade, vencendo o pessimismo porque projetadas para a esperança de Deus que não desilude.



Devemos testemunhar em cada vivência a beleza do memorial, a força que nos vem do Espírito e que nos torna cristãos porque somos filhos de testemunhas;

· fazer-lhes saborear as coisas maravilhosas que o Espírito disseminou na história;

· mostrar que é precisamente a Tradição que as conserva, dando, assim, esperança àqueles que, não tendo visto coroados de sucesso os seus esforços de bem, sabem que outros os levarão a cabo;

· então o homem sentir-se-á menos só, menos fechado no canto estreito das próprias ações individuais.



Ao cristão que procura o significado da vida a comunidade igreja oferece uma escola para se conhecer e ser livre, amado por aquele Jesus que disse:

“Vinde a mim, vos todos os que estais cansados e oprimidos, e vos aliviarei” (Mt 11,28).



A quem procura o restabelecimento interior, ele convida a continuar a procura:

· Se a intenção é reta e o rumo honesto, no fim o rosto do Pai far-se-á reconhecer, pois está impresso nas profundezas do coração humano.


Registros acásicos - filosofando



Da palavra "acásico", temos o que os psicólogos chamam de "registros acásicos".



Em Deus, não pode haver passado, presente e futuro. Ele é o Ser Absoluto



No entanto, tudo o que já aconteceu, tudo o que o homem concebe como sendo passado, está fixado na presença de Deus, a qual podemos incultura-la intitulando-a também de: “mente de Deus”, “mente cósmica”, “registro no cósmico”, “no universo cósmico”, "registros acásicos".



Os registros acásicos contém o conhecimento de todo o passado, presente e futuro. É um princípio abstrato. Não devem ser interpretados como um registro material de qualquer natureza.



Como sabemos, Deus, o Criador da natureza primária de tudo, não é estático. Ele está em constante movimento. Deus que conhece qualquer manifestação que experimentamos, ou mudança, jamais deixa de existir. Afinal, uma porção de Deus, não pode dele se desligar e desaparecer. Assim, aquilo que causou uma experiência "passada", continua a pertencer à natureza eterna de Deus.

Jr 31,5 – Os que plantarem eles mesmos colherão.



Não é preciso falar muito do presente, pois tudo aquilo que vivenciamos existe!



É importante ter em mente que as palavras passado, presente e futuro são somente designações que o homem dá a sua própria consciência.



Porém, o que pensar sobre o futuro? Como pode estar "escrito"? Estaríamos falando de predestinação?



Na verdade, o que isto significa, é que o futuro, de certa forma, está em nossas mãos.

Mt 7,2 - Vocês serão julgados com o mesmo julgamento com que julgarem e serão medidos com a mesma medida com que medirem.



Se soubermos potencializar nossa energia deífica, porque recebemos de presente de Deus, nossa força de pensamento, tudo aquilo que desejamos e por que lutamos ficará de certa forma "registrado" para que no tempo certo - tempo certo é o tempo de Deus - aconteça.



Podemos assim comparar o futuro como um barro mole. Esta massa amorfa pode ser o que quisermos, basta moldá-la. Para isso devemos concentrar certa energia volitiva neste trabalho. É mais ou menos assim que acontece com o nosso futuro. E se no meio do caminho decidirmos por outra "forma", outra coisa, outro caminho, basta refazermos nossa parte, e a promessa de Jesus Cristo - Deus a fará se realizar.

1Tm 2, 5 - Há um Deus sómente, há sómente um mediador, o homem Cristo Jesus.

Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome ele vos concederá.



Assim, temos que "nada é impossível ao que têm fé", e que só em Deus há tudo aquilo que pode vir a existir, porém, tudo o que já ocorreu, está registrado e continua existindo.


O discípulo cristão carece vivenciar o momento presente bem consciente para que os registros acásicos lhe possibilitem efeitos mais alegres e felizes para si mesmo e depois para o próximo mais próximo e para o mundo.




O antigo e o novo



Durante a ‘”ceia mística”’, [21] na pessoa de Jesus Cristo coexistem como passado o Antigo Testamento, como presente o Novo Testamento e como futuro a imolação iminente.

[21] Esta expressão dos Orientais, muito sugestiva e significativa, indica a ‘última Ceia’ ou ‘Ceia do Senhor’'. O adjetivo ‘última’ deve tomar-se também como referido ao desejo de Cristo de comer pela última vez, antes de morrer, a Páscoa segundo o rito judaico, para dar-lhe o significado ‘novo e eterno’ e como aliança mística. Neste sentido, a expressão pode tomar-se como ‘chave hermenêutica’ da Eucaristia, não separada do mistério pascal, que compreende, não só a morte e ressurreição, mas também a encarnação.



Com a Eucaristia, entramos num outro tempo; já não sujeito à nossa medição, mas onde o futuro, iluminando o passado, é-nos oferecido como estavelmente presente; por isso, o mistério de Cristo, alfa e ômega, torna-se contemporâneo a todo o homem em todos os tempos. O tempo tornou-se breve (cf. 1Cor 7,29); esperamos a ressurreição dos mortos e já vivemos no céu. “Este mistério faz da terra céu” (cf. Eucaristia - Lineamenta, nº 11):

1Cor 7,29 – Numa palavra, irmãos, o tempo se faz curto.



Não prega um desprezo desdenhoso do mundo e desta vida com seus sofrimentos e alegrias; não é um programa estóico. É a consciência de que a temporalidade humana impõe à qualidade e intensidade o limite da duração – a temporalidade humana aqui é vista à luz da iminência escatológica.



Deus está presente em cada evolução. É o Espírito de Deus, que dirige o curso dos tempos e renova a face da terra com admirável providência. E o fermento evangélico despertou e desperta no coração humano uma irreprimível exigência de dignidade. Para ser cada dia mais humano e mais Cristico e menos pecador.

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